O último apego

A palavra desapego é usada comumente em diversas situações, tanto pelos espiritualistas quanto pelas as pessoas em geral. Normalmente querem se referir ao ato de estar livre, leve e tranquilo com relação a pessoas, situações, posses, cargos, experiências, etc. Desapegar é estar vinculado porém sem prisões, é estar conectado com laços porém sem nós.
É muito comum que em nossa busca espiritual nos encontremos com a fase do extremo desapego, como passou Buda Gautama, quando largou a família, o palácio onde morava e foi viver uma vida austera, meditando por anos com os ascetas na floresta. O próprio Buda percebeu seu “equívoco” e depois que encontro o caminho do meio pode realmente compreender a verdade sobre a iluminação.

A verdade é tão simples e nítida que nosso último apego nos impede de vê-la claramente. A verdade é que tudo que existe é uma coisa só, uma grande unidade de energia que podemos chamar de AMOR, o aspecto manifesto da presença de Deus. O último apego é a nossa individualidade, ao senso de que nós somos diferentes, separados, especializados, com propósitos distintos. Este apego ao que achamos que somos é o que nos mantém em constante desenvolvimento no ciclo de encarnações, e pode durar em outros planos e dimensões “superiores”, até que a consciência se liberte completamente de sua identidade, seu último apego, ela estará sujeita a percepções do mundo da dualidade. Enquanto estamos presos em nossas crenças, em nossas visões, em nossos paradigmas ou em qualquer coisa que seja uma visão dualista, estamos vivenciando a oportunidade de aprendizado, de transformar a tese, a antítese em síntese, e chegar então a realização de que somos o todo, todos UM.
Por isto neste mundo dual, devemos usar nossa encarnação como uma aventura para novas experiências, permitindo que nossa alma aprenda ao máximo a observar seu reflexo nos outros seres e a compreender a presença onipotente e onisciente de Deus em tudo o que existe.
Continuo apegado a este último apego, e a muitos outros, entretanto o fato de reconhecê-lo já me torna mais forte para que no momento de minha total e definitiva entrega eu esteja consciente, lúcido, vibrando em paz, serenidade e com o coração cheio de AMOR. Seria um desejo que eu teria para mim e para os seres, mas como estou praticando o desapego com o texto, deixo qualquer desejo de lado e apenas lembro que qualquer fato consumado já é, toda situação sempre é como é… como deve SER.

Gratidão, Paz e AMOR!
Mautama Krishnarabi

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