Respiração e Renascimento no Bhagavad Gita

A respiração de renascimento, mundialmente conhecida como “Rebirthing” é um tema fascinante. Quase todas as pessoas que conheço que experimentaram a técnica na presença de um renascedor de alta performance obtiveram resultados maravilhosos na libertação de traumas, relaxamento profundo, conexão com o Ser Divino, evolução pessoal e espiritual. Normalmente após as dez primeiras sessões conduzidas com o auxílio de um profissional consciente a pessoa já está apta a “renascer a si mesma”, realizando a prática quantas vezes desejar, aonde e quando quiser, desde que sempre siga algumas “regras básicas” descritas no “Manual do Proprietário para seres humanos” de Leonard Orr.
Estive a refletir sobre as práticas do renascimento nestes últimos dias, e resolvi dar um tempo nos pensamentos sobre este tema especificamente. Decidi ler um outro livro, a Essência do Bhagavad Gita. Abri o livro aleatoriamente, e “para variar” o universo demonstra seu sincronismo perfeito, e eis aqui o ensinamento que encontrei e aqui compartilho.

(6:45) Seguindo diligentemente o caminho (que escolheu) e, assim, livrando-se de todos os pecados (débitos kármicos), o yogue atinge a perfeição após muitos nascimento e entra, por fim, na Beatitude Suprema.

(Página 276 do livro A essência do Bhagavad Gita, Swami Kriyananda)

 

“Lahiri Mahasaya, que primeiro ensinou o Kriya Yoga ao mundo ocidental nos tempos modernos, explicava essa passagem também em sentido esotérico. Quando o homem expira e não pode mais inspirar, morre. Mais tarde, renascido em um novo corpo, inspira para emitir seu primeiro vagido e assim retoma a existência neste mundo. De igual modo, quando o yogue pára de respirar durante a meditação, o ar forçosamente é empurrado para fora do seu corpo. Temos aí uma espécie de “morte parcial”, reminiscência de uma declaração de São Paulo na Bíblia: “Morro todos os dias.” Nesse sentido, quando o yogue recupera a consciência exterior e volta a respirar, seu primeiro ato é inspirar de novo. Assim, durante a meditação no corpo atual, ele passa literalmente pelo processo de morte e ressurreição.
O yogue pode dessa maneira, mesmo no espaço de uma vida, acelerar o processo de evolução conforme a promessa de Krishna – processo que normalmente exige “muitos nascimentos” – e rematar a obra há muito encetada mesmo no corpo atual.
Há uma prática mais superficial, porém bastante útil, que devemos associar ao processo respiratório. O momento de consolidar ou provocar um novo estado de consciência é depois de uma inspiração profunda. E o momento de expelir do corpo um pensamento ou hábito indesejado é durante a expiração deliberada – o que faz com que, assim por dizer, esse pensamento se apague no corpo. “Os hábitos”, dizia Yogananda, “podem ser mudados no prazo de um dia. Eles são simplesmente o resultado da energia concentrada. Direcione esta energia de uma forma nova e o hábito que você quer eliminar desaparecerá num instante.” A respiração é o melhor veículo, se acompanhado de intensa determinação mental, para introduzir em nossa natureza os pensamentos e qualidades que queremos absorver e para excluir aqueles de que desejamos nos livrar. Também nesse caso, cada expiração será uma pequena morte (pelo menos, da qualidade eliminada) e cada inspiração, um pequeno renascimento da nova qualidade que queremos cultivar.”

O que pensar, se até em um livro de mais de 500 páginas o renascimento surge sincronicamente… Melhor que pensar, ler ou estudar, é o ato mais simples do mundo… respirar…. (perdoe-me se te enrolei até aqui com a leitura, bora respirar!)

Com Amor,
Mautama

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